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Tinhas um coração comunista!!!
E como um comunista combateste, até dentro de ti próprio!!!
Sempre com o mesmo sorriso fraterno de menino grande, de bom gigante... Esse
sorriso que emanava da coragem quase insana com que te entregavas às pequenas
lutas que faziam grande a tua revolução!!! Essa que desembarcava todos os dias
no Rossio, de Rosa de Sangue ao peito de todas as Catarinas que cantaste.
Ah, Vila de Alvito, desse Alentejo queimado, berço e coração de todo o sentir
comunista de um povo...
Ah, vilas e aldeias que conheci pela tua mão... Nesse calcorrear me fiz homem
continuando menino, seguindo o teu exemplo, procurando ser sempre fraterno e
solidário.
Pedem-me agora, os que um dia te fecharam a porta na cara, que junte a minha voz
ao coro das hienas que lúgubres reclamam o teu nome, procurando ser confundidas
pela História com o Herói que tu nunca quiseste ser...
O teu partido morreu Adriano...
Acho até que no mesmo dia que tu.
Recusei falar sobre ti na tua querida festa, pá!
Assim, acho que só perante a tua memória, a tal que se partia plangente como um
cristal, só perante ela, tenho que justificar a minha recusa em participar em
mais uma homenagem sob o mesmo tecto em que se desenvolvem lutas partidárias que
tu já tinhas, estranha e amargamente previsto...
Não vou!!!
Não quero sentir a tal palmadinha nas costas que poderia vir acompanhada da
palaciana punhalada, das tais que te foram dando até te deixarem morrer exangue
sem, contudo, te arrancarem uma denúncia pública das ignomínias de que foste
alvo...
Um comunista não fala do seu partido perante o inimigo!!!
Essa generosidade quase cristã, de que foste exemplo vivo, fez-te dar a outra
face... Calaste amargurado o nome dos que te traíram nos atalhos da vida...
Mas eu sei quem foram... E embora, como tu, sinta o dever de calar os seus nomes
e, respeitando a tua vontade, nada diga sobre eles, posso sempre dizer que lutam
entre si como cães em lutas de morte, para gáudio dos vencedores de Novembro!!!
Pressinto que são os mesmos que organizam a tal “homenagem” a que me recusei a
ir!...
Tinhas um coração comunista!!!
Cada palavra a que emprestavas a voz podia ser brandida pelos pobres e
oprimidos...
O teu canto tremulava ao ritmo da bandeira vermelha desfraldada ao vento da
revolução...
Ainda menino tremia só de te ouvir cantar, e queria ser grande para poder, como
tu, lutar cantando...
Irmão Adriano!!!
O teu partido morreu. Mas o teu exemplo não!!!
Aqui seguimos cantando... E seguiremos, um após outro, até às Auroras que
cantaste e cujos ecos repetiste para nós...
HASTA SIEMPRE COMPAÑERO!!!
Sérgio Mestre.
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