Quem tem uma palavra a dizer...

José Carlos Vasconcelos

 

Serenata"Cantor da Casa"

"A voz de uma geração de Abril antes de Abril o ser".

"Nos anos 60, logo desde o início e até 69, Coimbra foi muitas vezes uma espécie de república independente.

República independente em que a ousadia e a rebeldia, servindo-se de tudo o que de melhor tinha a velha tradição académica e coimbrã, deram as mãos na luta por uma academia livre, numa pátria justa com liberdade e sem guerra. Em algum sentido se pode dizer que é a nossa dimensão. A Coimbra desse tempo em alguns aspectos foi à frente do Maio de 68 francês. Também não podíamos dizer "Liberdade para o povo português".

Essa espécie de república independente onde os êxitos e a esperança, a angústia e a raiva tinham decerto os seus líderes associativos e políticos, os seus poetas, os seus músicos e a sua voz, o seu cantor: Adriano Correia de Oliveira.
Se José Afonso de algum modo o influenciou - e ainda bem, porque isso nunca pôs em causa o poder criativo e a dignidade de Adriano -; se historicamente é um marco decisivo da música portuguesa e o primeiro cantor de intervenção, não se pode esquecer que o Zeca, a esse tempo, já não estava em Coimbra. Era professor fora da cidade coimbrã.
Acho que ele, Zeca, como companheiro, amigo, antifascista, vedeta e anti-vedeta, estava e esteve sempre do mesmo lado. Mas Adriano é que era da casa, era do tempo.

A sua voz, a sua presença, as suas cantigas são indissociáveis de toda a luta estudantil contra a ditadura e contra a guerra na década de 60 -" ... e do que dela se prolongou até à vitória do 25 de Abril de 1974 ..."

José Carlos Vasconcelos

 
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