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"Foi um grito, talvez um novo "grito do Ipiranga". Entrou de uma forma simples e directa no coração de uma geração, no coração de todos os que sonhavam com a liberdade. Quantos homens, quantas mulheres, que sentiram as forças fraquejar dentro de quatro paredes (Peniche, Tarrafal, Caxias...) com uma cama, uma mesa e um balde como horizonte visual, não trautearam dentro do corpo estes versos:Há sempre alguém que resiste Há sempre alguém que diz não... É como se brotasse de uma fonte cristalina, pura, uma réstia de esperança que permitisse ganhar coragem para enfrentar mais um dia, mais um ciclo, mais umas horas de interrogatório... Esta música foi cantada pela primeira vez numa festa de recepção de caloiros da Faculdade de Medicina de Lisboa, realizada no Hospital de Santa Maria. A sala estava repleta e Adriano teve que repeti-la seis vezes. Mais tarde os estudantes saíram para a rua a cantar em coro. Foi o quebrar do gelo que se tinha instalado no movimento estudantil após a repressão de 62 e 63. A Trova viria a tornar-se um hino do movimento estudantil."
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